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“Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada.
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“Se fosse fácil, todo mundo saberia explicar como fazer. Viver não é assim tão simples, mas que a gente complica, não há dúvidas.
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“É que eu só quero que dê certo, é pedir muito menino? Que tu fiques de mãos dadas comigo até nas piores enchentes sobre nós dois.
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“E ela, então, chorou alto, convulsamente, sob muitos tormentos reunidos e confusos, e as pessoas se desfizeram diante dela, como estátuas de cinza, e a casa ficou vazia, sem mais braços, sem mais rostos, sem mais vozes certas. Sozinha ela existia entre as coisas imóveis, que talvez lhe falassem, se pudessem, e a abraçassem, se não estivessem presas na sua forma. Sozinha ela existia - com as cadeiras, os espelhos, as paredes, as nuvens, o sol…
Era assim.
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“A gente tem que se ver por todos os lados. Apenas os bonitos tem prazo de validade. Eu quero coisas demoradas, alongadas… Coisas lindamente feias e reais.
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“Minhas dores eram crônicas, eu já previa onde e quando iam doer.
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“O vento levou tudo aquilo que tinha de bom em mim. Restaram pedaços de mim, gotículas do nada. Sou a cópia mal feita da última pétala mal-me-quer. Sou a parte mal vivida da vida. Sou a estrela que perdeu seu brilho ao passar do tempo. Sou a pedra cinza e sem cor. Não passo de um ser derretido em lágrimas escuras a ponto de se tornarem borboletas multicoloridas.